terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

METADE DA POPULAÇÃO DE BRASÍLIA TEM UM AUTOMÓVEL

Por: Dharana Bastos


No ano 2000, Brasília tinha em suas ruas circulando pouco mais de meio milhão de automóveis. No ano seguinte esse número cresceu 11,3%, o maior aumento já registrado pelo Departamento de Trânsito do Distrito Federal – DETRAN. Em 10 anos, Brasília já tem uma frota de 1.233.000 carros. Com uma população de mais de dois milhões e quatrocentos mil, é como se metade das pessoas tivesse um automóvel em casa.

Willy Ferreira, 23 anos, comprou seu carro em 2009. “Comprei o carro para uso somente nos fins de semana, mas cansei de me estressar com o transporte público ruim e ineficiente e passei a ir todos os dias para o trabalho de carro”, relata o analista de negócios. Como Willy, milhares de brasilienses desistem de utilizar ônibus e metrô e aderem ao carro pela comodidade. “Dei uma entrada e dividi o restante em 36 parcelas. Não tive problemas e comprei em meu nome”, acrescenta.

Facilidade de pagamento, crescimento do poder aquisitivo, ineficácia do transporte urbano, esses e outros fatores colaboram para que as pessoas pensem em adquirir um automóvel. Em março do ano passado, o DETRAN registrou o maior número de carros vendidos, foram 10.939 veículos novos nas ruas, isso ocorreu devido à redução do IPI, que estimulou muitas pessoas a irem até uma concessionária e comprarem o tão sonhado carro zero.

Thiago Melo comprou seu primeiro carro em 2002. “Creio
que a grande concorrência no meio, facilita a compra e segura o
valor em um patamar relativamente aceitável”, conta o assessor jurídico. Melo já trocou de carro três vezes. “Tem quase 10 anos que não entro em ônibus e metrô em Brasília”, complementa.

Enquanto os governantes não pensarem em uma política de transporte urbano e infraestrutura capazes de atender as pessoas que queiram e necessitam usar o transporte público, comprar um carro será um dos bens mais almejados de 9 entre cada 10 brasilienses. E o trânsito continuará caótico mesmo com as melhorias que foram feitas no último governo.Se o número de automóveis continuar crescendo na mesma velocidade desde 2000, é possível que em 8 ou 10 anos, Brasília esteja com o mesmo trânsito da grande São Paulo.

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