segunda-feira, 21 de março de 2011

Sexta-feira, o dia D

Toda sexta-feira era sagrada para Eloísa. Suas mãos suavam de ansiedade. Começava com um banho demorado logo pela manhã, passava vários óleos relaxantes pelo corpo. O cabelo era lavado com xampu e condicionador para cabelos oleosos, o sabonete para peles secas, só assim pra aguentar todo o suor que iam percorrer seu corpo pelo resto do dia.
Acabado o banho ela ia para o quarto e ficava olhando horas para o closet lotado de roupas. O que usar? Algo mais fresco e leve, ou algo sexy e confortável?
Escolheu a calcinha que não marcava-lhe a roupa. Vestiu a calça jeans que lhe deixava com a bunda mais bonita e arredondada. A blusinha bem decotada com rendas a fazia se sentir a mulher mais sexy antes vista.
Chegada a hora, ela sai correndo já com a ansiedade a mil, liga o carro e em 20 minutos chega ao local sagrado.
Suas mãos tremem, suas pernas latejam de vontade.
Começa a saga.
São mãos para todos os lados. Os perfumes já se misturam. O calor está insuportável.
Os pés estão trocados com tantos movimentos.
O cabelo todo desgrenhado. O brinco nem sabe mais onde foi parar.
O sutiã se perdeu no meio da bagunça.
O coração palpita tanto que ela quase sente como se ele fosse sair pela boca. O ápice.
Eloísa não se agüenta e solta um gritinho.
A maquininha gera o gozo.

Pronto, agora só semana que vem.
“O shopping só abre às 10h, que pena”, pensa Eloísa. “Bem que podia ser 24h”.

Por: Dharana Bastos

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