quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Crash – No Limite: A diversidade como deve ser

           Para começar esse texto é preciso que entendamos alguns conceitos. Diversidade cultural, segundo a Wikipédia é  o termo que “engloba as diferenças culturais que existem entre as pessoas, como a linguagem, danças, vestuário e tradições, bem como a forma como as sociedades organizam-se conforme a sua concepção de moral e de religião, a forma como eles interagem com o ambiente etc.”

Segundo o dicionário Aurélio alteridade é a “qualidade do que é outro”. A wikipédia define como “a concepção que parte do pressuposto básico de que todo o homem social interage e interdepende de outros indivíduos.”

Partindo desses conceitos básicos temos como avaliar e descrever o filme Crash – No Limite, lançado internacionalmente em 2005 e dirigido por Paul Haggis. O filme em resumo, trata de preconceito na cidade de Los Angeles, em vários segmentos, do racial à etnia.

            Entre negros, brancos, mulçumanos, ricos, pobres e latinos, o filme ronda em torno de um assunto principal, o preconceito entre indivíduos. Partindo disso é possível fazer uma análise envolvendo a alteridade, a diversidade cultural e a ética racial.

            Desde que o mundo é mundo vemos o preconceito explícito, ou às vezes nem tanto. Você já saiu de uma calçada para outra porque viu um homem “mal encarado”? Riu da roupa e/ou acessórios de uma pessoa com cultura diferente da sua? Criticou uma adolescente grávida? Se você respondeu sim a alguma dessas perguntas, é meu amigo, você também já foi preconceituoso.

            O preconceito entre as raças, culturas e línguas está a todo momento nos cercando, mesmo que não admitamos, alguma vez na vida sofremos ou colaboramos para a disseminação do preconceito.

Mudando um pouco o rumo, vamos entender a diversidade cultural. É fácil entender que em um país plural como o nosso, é comum encontrarmos pelas ruas pessoas com diferentes jeitos e sotaques. Antigamente, as pessoas eram divididas na sociedade exatamente por essas particularidades. Muçulmanos, ricos, pobres, negros, nada se misturava. Com o tempo essas particularidades foram sumindo e as diversidades culturais começaram a se juntar.

No Brasil, temos o exemplo claro disso. Em São Paulo existem ruas inteiras de imigrantes japoneses. Comprove pela sua rede amigos e conhecidos, você com certeza conhece algum nordestino, carioca, filhos/netos de japoneses, católico, espírita, etc. Porque diversidade cultural nada mais é do que a pluralidade de religiões, etnias e principalmente cultura, como sugere o nome.

            Tratando da diversidade cultural, devemos entender a alteridade. Como já foi definido é quando socialmente dependemos do outro para viver. Concordar com isso é como andar. Não existem estudos que comprovem que uma pessoa conseguiu viver sozinha, mesmo que tenha sido com seu cachorro, ela não viveu sozinha.

O poeta, músico e compositor Fernando Anitelli escreveu em uma de suas músicas: “Evoca-se na sombra uma inquietude, uma alteridade disfarçada, inquilina de todos nossos riscos”. Entendo essa frase dele como que alguém, mesmo querendo viver sozinha, não consegue. Viver sozinho é um perigo. Viver sem entender e respeitar o outro é suicídio.

Voltamos agora ao filme Crash. O diretor teve a sensibilidade de tratar o assunto da cultura e do preconceito, da forma mais certa possível. Mostrando a fortaleza e a fraqueza de seus personagens. O negro que acha que todos estão sendo preconceituosos, mas acaba sendo ajudado por um também negro. A mulher rica que esnoba o pobre, mas tem como melhor amiga sua empregada. O que mais chama a atenção é o encontro das diversas culturas que se entrelaçam de uma forma fascinante.

O autor teve uma sacada de mestre ao mostrar que mesmo diferentes, uns precisam dos outros. E como ainda é possível haver respeito entre as raças, as etnias, as culturas. O presente e o futuro de seus personagens nos levam a uma questão central: Diversidade, é possível conviver com ela.
           
Apesar de escondermos o preconceito, ele existe por toda parte. Você algum dia foi ou será alvo de preconceito, pode ser por sua roupa diferente, ou pelo seu cabelo despenteado, pelo seu sotaque puxado. Mas sabe, se eu fosse você nem se preocupava com isso, o que te bate é o mesmo que levará um soco pelas costas, é tudo um vai e volta. O mundo é assim desde que se conhece sobre ele. Lutar por igualdade é preciso, mesmo que maquiada, a luta existe. Mas lutar pelo respeito é mais preciso ainda, se houver respeito entre as pessoas, o convívio se torna menos doloroso. Mas a maquiagem cada dia derrete um pouco, um dia ela fica limpinha, como o palhaço depois da apresentação.


Um comentário:

  1. o seu resumo esta totalmente de acordo com a realidade da socidade

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